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RN terá reforço em subestações em leilão da Aneel, mas sem novas linhas de transmissão

O Rio Grande do Norte será contemplado no primeiro leilão de transmissão de energia de 2026, que será realizado nesta sexta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica na B3, em São Paulo, com investimentos estimados em cerca de R$ 570 milhões. Apesar disso, o certame não prevê a construção de novas linhas de transmissão no estado, concentrando os aportes em reforços na estrutura já existente.

De acordo com o edital, o RN integra o Lote 3, voltado à região Nordeste, que inclui a instalação de compensadores síncronos em subestações estratégicas. No estado, os equipamentos serão implantados nas subestações Ceará Mirim II e Açu III, ambas em 500 kV, com a função de aumentar a estabilidade e a segurança do sistema elétrico.

Na prática, o que o Rio Grande do Norte recebe é um reforço técnico que permite ao sistema operar com mais confiabilidade e eficiência. Os compensadores síncronos funcionam como grandes reguladores de tensão e frequência, ajudando a manter o equilíbrio da rede elétrica mesmo diante de variações bruscas, comuns em sistemas com alta presença de energia eólica e solar.

Esse tipo de equipamento atua como uma espécie de “amortecedor” do sistema elétrico, evitando oscilações e reduzindo o risco de desligamentos. Com isso, a rede ganha maior capacidade de absorver e escoar a energia gerada, diminuindo perdas e desperdícios.

Embora não envolva expansão da malha de transmissão, o investimento é considerado estratégico porque ataca um dos principais gargalos do setor no estado, que é a limitação operacional da rede. A melhoria tende a reduzir cortes na geração, conhecidos como curtailments, que têm afetado projetos no Nordeste.

O lote ao qual o RN está vinculado prevê a instalação de cinco equipamentos distribuídos entre o estado e o Ceará, com prazo de execução de cerca de 42 meses após a assinatura dos contratos.

O leilão deste ano foi reduzido e terá apenas cinco lotes ofertados, com investimentos totais estimados em R$ 3,3 bilhões. Parte dos projetos inicialmente previstos ficou de fora e depende de um acordo em análise no Tribunal de Contas da União envolvendo antigas concessões.

Mesmo com escopo menor, a expectativa é de manutenção da competitividade, já que o segmento de transmissão é considerado um dos mais estáveis e atrativos para investidores de longo prazo.


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