Com previsão de R$ 233,9 bilhões em investimentos federais em obras e serviços de engenharia no Orçamento de 2027, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu dar um passo além da fiscalização tradicional e indicar ao Congresso quais empreendimentos deveriam receber prioridade na distribuição dos recursos.
Ao aprovar o relatório do Fiscobras 2026, o tribunal elencou dez obras rodoviárias consideradas estratégicas que precisam de aproximadamente R$ 525 milhões para serem concluídas até o fim de 2027. A lista foi encaminhada ao Congresso Nacional juntamente com o relatório anual de fiscalização de obras públicas.
Segundo o TCU, a proposta surge em um cenário de recursos limitados e da necessidade de direcionar investimentos para empreendimentos com maior potencial de entrega à população. Pela primeira vez, o Fiscobras não apenas apontou problemas e irregularidades, mas também indicou onde o dinheiro público poderia produzir resultados mais rápidos.
A seleção abrange obras administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em dez estados:
- BR-235, na Bahia (Travessia de Juazeiro);
- BR-470, em Santa Catarina;
- BR-222, no Ceará;
- BR-116, no Rio Grande do Sul;
- BR-267, em Mato Grosso do Sul;
- BR-447, no Espírito Santo;
- BR-230, no Pará (Ponte do Xingu);
- BR-070, em Goiás;
- BR-367, em Minas Gerais;
- BR-319, no Amazonas.
A obra com maior necessidade de recursos é a adequação da BR-267, em Mato Grosso do Sul, acesso à ponte internacional de Porto Murtinho, que demanda cerca de R$ 279 milhões para conclusão.
Apesar de o Nordeste concentrar quase metade das fiscalizações realizadas pelo Fiscobras em 2026, nenhuma obra do Rio Grande do Norte aparece na relação de prioridades. Os únicos empreendimentos nordestinos incluídos foram a duplicação da BR-222, entre Fortaleza e Pecém, no Ceará e a travessia de Juazeiro, na Bahia.
O relatório também mostra a dimensão do desafio da infraestrutura brasileira. Neste ano, o TCU fiscalizou 24 empreendimentos com volume de recursos de aproximadamente R$ 6,1 bilhões. Ao mesmo tempo, o país ainda acumula mais de 4,2 mil obras federais paralisadas, principalmente nos setores de educação e saúde.