A concentração dos candidatos proporcionais em três ou quatro nominatas competitivas é consequência direta da nova lógica do sistema proporcional. Antes do fim das coligações, partidos menores podiam se associar a legendas maiores e dividir votos dentro de uma mesma chapa. Agora cada partido, ou federação, precisa montar sua própria nominata com um número mínimo de candidatos competitivos para alcançar votação suficiente. Isso elevou o valor político de candidatos com mandato ou com forte base eleitoral, que passaram a funcionar como garantidores da sobrevivência das chapas.
Uma das poucas tentativas de formar uma chapa competitiva para deputado estadual fora dos três grandes blocos ocorre no MDB, comandado pelo vice-governador Walter Alves. Ele pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A movimentação é vista como politicamente arriscada. Walter demorou a confirmar sua candidatura e, nesse intervalo, muitos prefeitos e lideranças do interior já haviam fechado apoio a outros candidatos. Mesmo assim, como presidente estadual do MDB, ele tenta estruturar uma nominata com nomes conhecidos da política municipal.
Entre os nomes anunciados estão o ex-prefeito de Apodi, Alan Silveira; o ex-prefeito de Nova Cruz, Flávio de Beroi; Josivan Bibiano, que foi prefeito de Serra do Mel por quatro mandatos; e Ivan Júnior, que governou Assú por dois mandatos e chegou a presidir a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte. Também aparece na articulação o ex-deputado estadual e federal Antônio Jácome. Também o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo, pode ser candidato pelo MDB, mas há uma resistência interna de outros candidatos que temem terem menos voto do que ele e ficarem de fora caso o partido consiga duas vagas na Assembleia.
Outro núcleo que pode alterar o equilíbrio das nominatas gira em torno do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. Ele está atualmente no PSDB, mas interlocutores no meio político afirmam que existe a possibilidade de migração para o Republicanos.
Se a mudança se confirmar, Ezequiel pode levar consigo outros deputados estaduais, entre eles Cristiane Dantas, Taveira Júnior e possivelmente Ubaldo Fernandes. Como presidente de um poder e um dos parlamentares mais votados do estado, ele tem capacidade de atrair lideranças regionais e funcionar como puxador de votos, fortalecendo uma eventual nominata competitiva. Mesmo assim, nomes como Taveira Junior, ainda pode migrar para o PP, e Ubaldo tem o convite da governadora Fátima para se filiar ao PV e disputar pela Frente Brasil da Esperança.
Fora essas articulações, o quadro revela um esvaziamento significativo de várias legendas tradicionais. Partidos como PSB e PDT, no campo da esquerda, não apresentam nomes suficientes para estruturar chapas competitivas. No centro e na direita, a situação é semelhante para siglas como PSD, Podemos, Solidariedade e Avante.
A ironia do processo é que até o PSDB, que na última eleição conseguiu eleger oito deputados estaduais no Rio Grande do Norte, pode terminar o próximo ciclo com presença bem menor ou mesmo nenhuma presença na Assembleia.
Esse cenário reflete um fenômeno mais amplo da política brasileira. A cláusula de barreira, a criação das federações partidárias e o fim das coligações proporcionais vêm comprimindo o sistema partidário e empurrando lideranças regionais para os blocos cada vez maiores.
Veja como está a situação para deputado federal no próximo post